terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Paraguay, primeiros contatos

Há muito tempo eu planejava conhecer o Paraguay e Asunción. Por inúmeros motivos, a viagem foi adiada diversas vezes, mas eu nunca duvidei de que, mais cedo ou mais tarde, acabaria por ir ao Paraguay.
Observo as reações de espanto das pessoas, quando digo que vou passar o carnaval no país vizinho:
- Vai fazer compras?
- Não, vou conhecer o país.
- Mas afinal, o que que tem no Paraguay?
E aí, após uma breve explicação de minha parte, sem diminuir o espanto, invariavelmente meu interlocutor responde:
- Eu não sei o que você vê no Paraguay. Pra mim aquilo é Ciudad del Este e nada mais.
Em geral, apesar de o Mercosul estar prestes a comemorar 18 anos de fundação, e mesmo que viagens para países como Uruguay, Argentina, Chile e até mesmo Peru tenham se tornado cada vez mais comuns, a maioria dos viajantes, mesmo os que apreciam um roteiro alternativo, e partem em busca de referências históricas e culturais, ou mesmo ecológicas e antropológicas, despreza o Paraguay. Esta viagem foi motivada, em parte, por uma busca em descobrir os porquês deste isolamento (ou suposto isolamento), e também saber o que os paraguaios pensam sobre isso.
Historicamente, o Paraguay sempre se viu isolado: primeiro, sob governo de José Rodriguez Gaspar de Francia - filho de pai paulista, mas nascido em Yaguarón no ano de 1766, mestre em teologia, doutor em filosofia, um dos fundadores da República do Paraguay em 1811 e, finalmente, ditador supremo do país até sua morte, em 1840.
Depois, vieram Carlos Lopez, que governou o país por 22 anos, e o Marechal Franscisco Solano Lopez, que liderou o país durante a Guerra da Tríplice Aliança, ou Guerra Grande - para nós, conhecida como Guerra do Paraguai.
O isolamento que se seguiu a guerra era reflexo da sucessão de golpes e contragolpes militares. Essa política confusa culminaria em outras duas ditaduras, a de Higínio Morínigo, por sete anos, e a de Alfredo Stroessner, que entre 1955 e 1989, chefiou um dos regimes mais cruéis e sanguinários da história contemporânea.
Em toda a história republicana do Paraguay, somente uma vez um presidente eleito passou a faixa com tranquilidade a outro presidente também eleito dentro das regras democráticas. E foi há menos de um ano, quando Nicanor Duarte Frutos entregou o poder a Fernando Lugo.
Será que encontrarei este "outro Paraguay"? Será possível romper o esquecimento e indiferença, de nossa parte, ao país que está tão profundamente ligado ao que nós somos? Será que o blog poderá servir para disseminar uma idéia do Paraguay despida dos clichês e preconceitos tão comuns, entre nós, brasileiros? Ou será apenas mais uma utopia paraguaya, como aquela dos jesuítas e de Francia, que sonharam com um país em que as culturas guarani e ocidental se congregassem harmonicamente?
Veremos o que serão quatro dias pelas calles, sítios y ubicaciones de Asunción.


Meus primeiros 20 mil guaranis, equivalentes a 8 reais e 90 centavos.

3 comentários:

  1. bela cassandra, acompanhe esta utopia paraguaya comigo.
    besos

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  2. opa! acompanharei.

    cassandramello@terra.com.br

    boa viagem!

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