quinta-feira, 25 de julho de 2013

GALO DAS AMÉRICAS


é uma hora da manhã. estou sozinho, em curitiba. está chovendo. eu não queria estar aqui. eu era o ÚNICO a torcer pelo galo, e durante todo o jogo, lembrei de todas as vezes que assisti os jogos no mineirão, e do quanto isso tudo significa para mim, emocionalmente. talvez na cidade inteira, eu fosse o único a sofrer com toda a massa atleticana. fui praticamente expulso do bar onde SÓ EU gritava GALO! GALO! a cada lance, a cada pênalti, a cada defesa. e antes que me acusem de louco, contraditório, alienado, vira-casacas, demente, bobo, infantil, o que queiram, é preciso que entendam: É O GALO, porra. a torcida mais sofrida do MUNDO, talvez. sofreram por 42 anos a ausência de um título de relevância, que correspondesse à altura do amor incondicional, do sofrimento insano, da galoucura que essa MASSA carregou nas costas por 4 décadas. ouvindo chacotas de todo mundo, em especial do maior rival. tendo que engolir calado, enrolar as bandeiras, chorar e sofrer. muito semelhante ao outro grande time das massas, que foi campeão de tudo no ano passado, e calou a boca dos rivais e dos "antis" e trouxe felicidade e alegria à sua não menos inflamada torcida: talvez seja exatamente o sofrimento sem sentido, insano, demente, exagerado, exaltado o verdadeiro e único combustível dessa MASSA que só cresce, que é cada vez maior e que vai onde o seu time está. essa mesma massa que eu vi chorando, quando era humilhada pelos rivais, que ouvia a chacota, o tiração de onda, a provocação, hoje ri, e ri da mesma maneira que chorava: louca, insana, demente, sem sentido. o FUTEBOL, não tenho dúvidas, é o MAIS ALIENANTE ANESTÉSICO popular. há os cartolas corruptos, falastrões, com suas declarações infelizes e seus passados obscuros (como o próprio presidente do atlético e o presidente da cbf personalizam o que talvez haja de pior nesse esporte). há as relações escusas entre a política que mascara as mazelas do país com estádios superfaturados e publicidade de produtos terríveis. há os salários e a super-valorização de atletas, chamados de "heróis", mas que em sua maioria representam a frustração de um país que não valoriza seus intelectuais, seus artistas, seus professores. e tudo por causa de uma bola. se formos realmente racionais, críticos, coerentes, se quisermos "melhorar o país", temos que admitir: o FUTEBOL É A MAIOR BESTEIRA. mas e daí? vá explicar isso pros 60 mil MALUCOS que lá estavam, gritando, chorando, brigando, e pra todos os milhões que choravam, cantavam, sofriam pelo país inteiro, verdadeiramente como um GALO que não para de brigar! o sentido do futebol é esse mesmo. tive o prazer de conhecer essa torcida, de ter sido recebido em minas gerais, e ter balançado meu coração por essa  emoção demente,  e ter compreendido que é isso mesmo, que é loucura, que é bobagem, é perda de tempo. mas É A MELHOR PERDA DE TEMPO DO MUNDO. o GALO merece. e todos os meus amigos e amigas mineiros, sejam torcedor@s  do galo ou não, merecem também essa loucura, que simboliza muito bem o que MINAS GERAIS é: antes de mais nada UM ESTADO DE ESPÍRITO. meu coração está lá, em bh, em plena praça sete, com o POVO. eu abraço a cada um dos torcedores e torcedoras deste CLUBE ATLÉTICO MINEIRO, CAMPEÃO DAS AMÉRICAS, que FINALMENTE de forma SOFRIDA, como NENHUM OUTRO TIME JAMAIS SOFREU, consegue dar à sua maravilhosa e inflamada torcida o TÍTULO MAIOR do qual ela estava tão carente nestas 4 décadas. o fato de eu estar aqui, hoje  nesta fria e por vezes estranha curitiba (sem desrespeito ao que eu também amo e aos que eu também amo aqui) considero um acidente de percurso, uma etapa que se inspira no sofrimento que mobilizou a torcida do galo por tantos e tantos anos, mas que FINALMENTE faz sentido. o sofrimento nos une. é loucura, eu sei. algo me diz que estou voltando. hoje, nesta gélida curitiba,  torcendo como se eu tivesse sido galo desde criancinha(e talvez eu seja, já não tenho mais certeza), me senti verdadeiramente CAMPEÃO DO GELO. PARABÉNS CLUBE ATLÉTICO MINEIRO, galo forte, vingador. o sofrimento acabou. 

sábado, 20 de julho de 2013

Política de Estado

BRASIL, 20 de julho de 2013: estimativas do ministério da saúde afirmam que, por ano, entre 730 mil e 1 milhão de mulheres abortam no país (sim, isso mesmo que vcs estão lendo - no mínimo SETECENTOS E TRINTA MIL mulheres praticam o aborto por ano no brazza). destas, a maior parte se submete a procedimentos clandestinos e sem nenhuma assistência médica. estima-se em cerca de 250 as mortes por ano, como consequência de abortos realizados sem assistência - sem falar nas sequelas de abortos mal-feitos. estes dados são todos estimativos, já que, por conta da criminalização, há dificuldade em se encontrar dados corretos. isso ocorre em nosso país porque o estado cede às pressões dos setores religiosos da sociedade e passa por cima do seu próprio princípio constitucional de laicidade: proíbe-se e criminaliza-se o aborto. a proibição, no entanto, não evita o trauma de figurarmos entre os países com as MAIS ALTAS taxas de abortos do mundo.

URUGUAI, 20 de julho de 2013: seis meses depois da legalização dos procedimentos de interrupção de gravidez no país, não houve registro de NENHUMA morte entre as mulheres que praticaram aborto. foram realizados (e devidamente registrados pelo ministério da saúde) 2550 procedimentos de interrupção de gravidez, assistidas e garantidas pelo estado. todas as mulheres receberam assistência médica, psicológica e orientações, antes e depois dos procedimentos. o governo pretende, a médio prazo, diminuir a prática de abortos voluntários. os dados incontestáveis do ministério da saúde uruguaio atestam que as políticas de descriminalização, educação sexual e reprodutiva, planejamento familiar e utilização de métodos anticoncepcionais, que funcionam através de serviços de atendimento integral, foram responsáveis pela colocação da república oriental entre os países com menor taxa de abortos por ano no mundo.

a mulher tem o direito de decidir. não os políticos, nem os religiosos.