quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

MÍJEM NA MÍXEM!!

Vez em quando, dou meus pitacos na sessão de comentários do leitor do Diário dos Campos, de Ponta Grossa. O jornal é supostamente centenário (foi fundado em 1908 como "O Progresso", teve um hiato de 10 anos sem ser publicado, nos anos 1990, mas voltou e se diz um jornal independente).

Pois bem, aconteceu uma coisa que nunca havia ocorrido com um texto meu até hoje: fui censurado! Eu já escrevi várias coisas destoando do senso comum, mas confesso que não esperava por essa (Não que eu esteja chateado, de certa forma é um orgulho ser censurado por um jornal da minha cidade natal).
O fato é que escrevi um comentário em forma de manifesto, intitulado "Mijem na Míxem", sobre a matéria de 8/12/2009 que versava sobre os "81,9 mil pagantes" que compuseram o coro dos contentes na festa sertanejo-alemã de PG, a chamada "München Fest", em sua vigésima edição repleta de animadas atrações e shows com artistas tão geniais quanto João Neto e Frederico, Calcinha Preta, Jorge e Mateus, Maria Cecília & Rodolfo, Hugo Pena e Gabriel, Inimigos da HP, sem esquecer os Titãs, ou o que sobrou deles.
Tais shows, em minha opinião, traduzem muito bem o "espírito alemão" da festa. Só pra constar: pra quem não conhece, Ponta Grossa tem mais descendentes de poloneses e italianos do que de alemães, mas tudo bem, o prefeito é alemão, chucro e flamenguista, é ele quem manda.

Eis que meu texto ficou "aguardando avaliação para ser exibido publicamente" nas páginas virtuais do diário princesino. Obviamente, pelas severas críticas em tom de ironia, não esperava vê-lo publicado nas páginas de papel do jornal, mas daí para simplesmente não ser "exibido publicamente" no sítio, me fez pensar a respeito dos motivos pudicos ou excusos que levariam a editoria do tradicional diário (ou quase: o periódico princesino jamais circula às segundas-feiras, mas desconheço coletivo para nomear uma publicação que circula todos os dias menos às segundas-feiras, por isso, sigo a forma como o dc se vê, ainda que, justiça seja feita, não se tratar de uma exclusividade:, o jornal da mãnha tampouco circula às segundas-feiras, do mesmo modo que o falecido diário da mãnha funcionava sob o mesmo regime de celibato) a considerar o texto inadequado para a "exibição pública", conforme está afirmado no çaite.

De qualquer modo, temos a internet e eu tenho esse blog com meus dois ou três leitores, e isso pode, ao contrário do arbítrio do Diário dos Campos, "exibir publicamente" meu texto censurado. Você pode lê-lo, se for de seu interesse. E também pode discordar dele, se quiser. Ficarei feliz de qualquer modo.

Quem sabe seja capaz provocar um debate sobre a pertinência da crítica ou a necessidade de endosso das práticas vis de nossa política "curturar", e também reflexões sobre qual deve ser o ritual necessário e critérios para um texto ser ou não publicado no jornalismo ponta-grosseiro.
abraços

MIJEM NA MÍXEM!
Esse evento dantesco é o que poderíamos chamar de “um flash de nós mesmos”. Por um lado, ajusta-se perfeitamente aos anseios de nossa bela “classe mérdea” (como bem definiu o grande João Antônio). Como um espelho de sua mediocridade, desejo de aparecer, incongruência mental, baixo nível cultural, arrogância, sorrisos forçados para as colunas çociais, a fim de mostrar-pra-mamãe-como-estou-feliz com meus dentes novos, meu botox novo, meu carro novo, meu casamento novo, meu anel de brilhantes novo, minha maquiagem nova, meu dia de rainha da festa, entre outras qualidades não menos deploráveis, a mixa fest cumpre seu papel. Por outro, funciona também como um exemplo das injustificadas justificativas para abafar o que vai mal em nossa administração pública, a partir da perversão e inversão dos valores humanos em nome da subversão, autoritarismo e visão estreita do mundo, da cultura e da política, da destruição do patrimônio histórico (de qual a festa mixa é um dos baluartes, pois sua primeira edição serviu de funeral para o pátio da rede ferroviária e a bizarra transformação que se impôs depois aos mais caros símbolos de nossa cidade), as respostas evasivas aos problemas graves que atingem a população menos favorecida (falta de calçamento em vias públicas, mentiras sobre asfalto em ruas não asfaltadas(I), falta de saneamento básico, falta de segurança, falta de acesso à cultura de verdade, falta de saúde, falta de transporte público de qualidade, falta de asseio nas ruas e praças, falta de opções que fujam da avenida mijem, falta de democracia, falta de amor) ).
o espírito de porco que toma conta da city em dias de peste irracional do chopescuro (kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrindopordentro) surge como um perfeito breviário daquilo que cada vez mais se radicaliza na pobre Princesinha dos Campos (talvez melhor fosse chamá-la "Tristeza dos Campos"): a destruição de tudo o que fez de nossa cidade um exemplo positivo no passado, a aniquilação de qualquer voz crítica que se oponha à catarse coletiva(II), sob as bênçãos de podres políticos, publicitários-otários, radialistas-normalistas, assessores de comunicação viciados no espetáculo, empresários egoístas, policiais marginais, médicos esteticistas, professores que nada ensinam, universi-otários, artistas-autistas, jornalistas com ou sem diploma, verborrágicos insanos, e qualquer outra criatura que tenha língua e dedo (rindo por dentro de novokkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk)... e claro, com a anuência passiva de um povão com vocação para cordeiro, que não conhece, não quer e nem pode conhecer a própria história, já que ela foi deturpada, vendida e estuprada por um bando de visigodos sedentos e apegados ao poder e ao mundo brilhante e rococó, tão caro ao mau gosto das elites brilhantes, que instituiu a repartição dos cargos públicos e dos meios de comunicação, quase sempre a serviço de seus interesses individuais(III) ). Enquanto a mixa fest acontece, a natureza dos campos gerais segue sendo destruída em nome do agronegócio e da farofagem, a memória segue sendo queimada em praça pública, a cidade segue mal-administrada, nossa sociedade segue uma das mais bisonhas do estado. O mais incrível é o silencioso pacto de mediocridade existente entre nossa elite política e cultural, pacto que mantém as coisas exatamente como elas são e que, como suínos, nos obriga a refestelar-nos na lama da alienação através da promoção da pobreza de espírito de uma çocáiti burra, alienada, triste, miserável e cruel, acostumada a ser servida enquanto chafurda nos próprios dejetos. Uma vez mais cito o grande João Antônio (não conhece? Leia “Malagueta, Perus e Bacanaço”): PRA QUE TROUXA QUER DINHEIRO? cadê a princesinha?
NOTAS: (I) Notícia de hoje (9/12/2009) no Diário dos Campos: "Rua de terra consta como 'pavimentada'".
(II) O próprio texto foi uma das vozes aniquiladas por se recusar a compactuar com a catarse coletiva.
(III) No original enviado para o Diário dos Campos e não publicado no sítio, constava "(com honrosas exceções, entre as quais o DC talvez faça parte)".

16 comentários:

  1. um dos dois ou três leitores sou eu. mas na real acredito que sejam bem mais leitores.

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  2. Mas acreditam que sejam poucos que entendam mesmo. heheh

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Eu também li o seu manifesto. Não conheço o contexto, mas é muito semelhante a outros que conheço. Eu entrei no seu blog hoje porque queria escrever um comentário sobre a sua descrição da "Estrela Japonesa" em Curitiba. Eu li e no final comecei a rir, surpresa, sem acreditar nas inúmeras mercadorias que você conseguiu citar. Me lembrei da venda do meu avô em OP. Parecia um pouco com a "Estrela". Gosto de ler suas descrições dos lugares. São boas dicas de viagem. Continue viajando e escrevendo suas experiências.

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  5. Aee André, você colocou no texto Mijem na Míixen exatamente o que eu penso a respeito, parabéns! E creio que a sensura se deu talvez pelas ironias ou pelo entendimento equivocado da editoria de que o texto estava "pesado" de qualquer forma é injustificável! Mais uma vez parabéns pela lucidez e pelas verdades que escreveu!

    Aproveito para indicar o meu blog para quem sabe vc dar uma navegada:
    www.escritosanalfabetos.blogspot.com

    Abraços
    Alnary

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  6. silvana: muito obrigado, me faz muito bem saber que meu texto funcionou. onde era a venda de seu avô? OP? que é OP? escreva algo de lá! e quando puder, conheça a estrela japonesa, mas não deixe de falar do meu blog!

    anary: vc não imagina como me faz bem saber que meu texto tem reverbe! às vezes, penso que além de meus amigos, quem lerá esse blog? a mijem fest é como o circo que serve às nossas elites.a melhor maneira da gente destruir aquilo é através do boicote. não vai ser hoje nem amanhã, mas com certeza, aos poucos, aquela lama vai acabar. vou acessar teu blog. mantenha o contato! abraço

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  7. André.
    A venda do meu avô era em Ouro Preto-MG. Era uma venda muito conhecida no Alto da Cruz, bairro mais distante do centro, mas era frequentada por pessoas de todos os bairros da cidade. Meus tios contam que até o Augusto da Veiga Guignard (pintor) ia lá bater papo. Meu avô era uma pessoa muito popular na cidade. Foi até vereador. Todos da família detestavam política, mas ele adorava. Ele foi um dos fundadores de uma das bandas da cidade, a Banda Bom Jesus das Flores ou a Banda do Alto da Cruz, e acho isso muito legal, porque adoro bandas. Pena que eu convivi muito pouco com ele, porque ele morreu quando eu tinha 8 anos. Queria ter convivido mais com ele e frequentado mais a sua venda, para ouvir as conversas, prestar atenção nas pessoas. Por isso tudo, a "Estrela" me fez viajar no tempo. Abcs.

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  8. OP=Ouro Preto, claro! como sou besta...
    bem, essa parece uma história espetacular, silvana! os velhos avós são sempre geniais. meu avô foi funcionário da rede ferroviária desde 1914, em ponta grossa, e se aposentou nos anos 1960. a história dele praticamente se confunde com o bairro das oficinas (que tem esse nome por causa das oficinas da rede, que até hoje estão lá, mas agora, graças ao collor, privatizadas - pertencem à all, uma empresa estadunidense). ele tinha uma funilaria em casa, e ficou lá até muito tempo depois dele morrer (ele morreu no dia 31 de dezembro de 1979, eu tinha só 3 anos e também me ressinto por não ter convivido com ele). você tem fotos dessa venda do seu avô? bom, é óbvio, quando for a curitiba, não deixe de conhecer a estrela japonesa, é mesmo incrível que ela esteja lá até hoje, pois curitiba, como todas as cidades, está mudando rapidamente e perdendo essas coisas. obrigado por acompanhar o blog. fique atenta que daqui uns dias vem outro post.
    beijão!

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  9. Olá André...adorei o texto, pena que foi censurado, ia adorar ver publicado no Diario dos Campos. Sou filha da Angelita, da tia Reny...meu nome é Aline, e sempre dou uma olhada no seu blog. Parabéns!
    Ah...vc esqueceu de Chimarruts...foi o 1º show. E na minha opinião...todos os shows foram horríveis, e o público...vixxii...não chegou nem perto de Munchen anteriores...anteriormente, as ruas do Nucleo Sta Terezinha ficavam lotadas de carros e pessoas, e sinceramente, neste ano, pouco se viu movimento. É triste que na cidade uma das maiores festas (na verdade A maior), esteja indo de mau a pior...pude ouvir todos os shows da minha casa...foi tão...IRRITANTE!!!rsrs
    Bom é isso...
    Um abraço de toda a familia.

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  10. oi, aline!
    puxa, você não sabe como fiquei feliz com seu comentário! obrigado, mesmo! se quiser, dê uma olhada nos posts mais antigos, sobre as viagens que eu fiz à bahia e ao paraguay.
    bom, quanto à mijem fest, eu há anos acho que isso perdeu a graça, e esse texto aí é uma das maneiras que eu encontrei para exprimir minha revolta. quanto a ser censurado, eu acho massa! até porque, ao que me parece, a repercussão aqui no blog foi maior do que eu esperava.
    bem, continue ligada nos caldos de cana. daqui uns dias vou postar umas coisas sobre congonhas do campo e o estado (lamentável) que se encontram os famosos profetas do aleijadinho - apenas pra gente constatar que o brazyl é assim em todo lugar, seja em pg (onde destruíram tudo de nossa história) ou mesmo aqui em minas.
    beijos a todos, e mais uma vez, muito obrigado!

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  11. tô atrasada, mas eu também li!
    ;)

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  12. André, como vai?
    Uma pena uma festa que foi criada no final dos anos 1980 por um cara (entre outros) chamado Jan Strasburger ter sido tão descaracterizada.
    O Jan era um autêntico mestre cervejeiro, nascido, criado e formado em Colónia (Alemanha). Foi um homem admirável que idealizou uma festa folclórica para a nossa "Tristeza dos Campos" e viu, ao longo dos anos, sua ideia morrer junto da cultura da nossa cidade - obtusa por uma calcinha preta qualquer.
    Lastimável.
    Por sorte a tecnologia ainda nos ajuda a não esvaziar por completo os espaços de crítica e reflexão. Ao menos um alento.
    Um beijo,
    Paula

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  13. Podia socar uma festa ucranhanha ou mestiça no lugar, festa da cracóvia, do churiço no espeto ou do doce de porco, se a identidade eslava e a mestiçagem não fossem ainda algo mau visto, um motivo secular de vergonha em nossa sociedade.

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